1.2.6. A Internet e o Cotidiano
A internet deve ser um instrumento de desenvolvimento social. Ela possibilita a partilha de bens como a memória, a percepção e a imaginação. Hoje, ter computador em casa é quase tão necessário quanto um microondas ou televisor, e mais: quem conhece pouco de informática tem a chance reduzida no mercado de trabalho, sendo classificado quase como um analfabeto.Dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 32,1 milhões de brasileiros, cerca de 21,9% da população acima dos 10 anos de idade, utilizaram a rede mundial de computadores, a internet, no país. No contexto familiar, é notória a presença de um adulto mais próximo, geralmente os pais, na brincadeira com os jogos digitais. Isto é importante tanto para a aprendizagem da criança quanto para o diálogo dos pais com seus filhos.
Como já descrevemos, uma profunda transformação da sociedade iniciou-se desde o surgimento da Informática até hoje, a qual veio introduzir modernos meios tecnológicos na vida dos cidadãos. A Internet tornou-se um poderoso espaço de compartilhamento de informações, em crescente evolução e disseminação na sociedade, eliminando obstáculos como o tempo e o espaço. Atualmente, está sendo usada de várias formas positivas, das quais muitas já foram descritas anteriormente, mas a sua utilização imprópria pode causar também um grande prejuízo, gerando conseqüências enormes para os indivíduos, as nações e o mundo em geral.
Se a Internet possibilita acesso rápido e fácil a grandes quantidades de informação, também é certo que ainda existe a possibilidade de inundá-la com informações e imagens pouco recomendáveis, esta é uma realidade que leva algumas pessoas a se questionarem se, as vantagens que podemos retirar deste meio tecnológico compensam os perigos que daí pode surgir. Assim, desde o seu inicio, ela tem sido classificada como um meio transacional extremamente eficiente, no entanto, esta eficiência transacional pode ser vista como a prática do ignorar, ou seja, aprendemos a nos conduzir como se não existisse ninguém do outro lado da transação.
Mesmo com o avanço tecnológico algumas questões ainda permanecem pendentes, uma das mais importantes trata-se de uma versão atualizada da diferença mais antiga entre as pessoas ricas de informação e outras pobres de informação, referindo-se àquilo que se chama divisão digital uma forma de discriminação que separa os ricos dos pobres, tanto dentro das nações como entre elas mesmas, baseado no acesso, ou na falta de acesso, às novas tecnologias de informação.
A Internet é muito eficaz em transmitir rapidamente notícias e informações. Entretanto, a concorrência de continuidade inesgotável do jornalismo através da Internet também contribui para o sensacionalismo e intriga, para a composição de notícias, publicidades e divertimentos, e também para o declínio de reportagens e dos comentários sérios. O jornalismo de forma honesta é algo fundamental para a sociedade.
Com a facilidade de se transmitir informações geradas pela rede (Internet), surgiram novos modelos expositores de dados, um bom exemplo são os wikis (site que permite que todas as pessoas, nele cadastradas, alterem o conteúdo de suas páginas, sem a necessidade de esperar por um administrador ou moderador) que trazem a autonomia de informações, mas como conseqüência sofre com a falta de rígido controle do que está sendo editado e utilizado pelos usuários, o que pode levar a plágios, também permitindo que os textos possam sofrer edições inapropriadas por pessoas de má fé.
Junto com o aumento da busca pelo entretenimento, através da internet e pelos serviços gerados para suprir essa demanda, têm surgido novas maneiras de se praticar crimes antigos ao mesmo tempo em que sites proporcionam vídeos caseiros com diversos temas (bizarros, interessantes, cômicos, entre outros, como já descrevemos), também existem aqueles que divulgam a pedofilia de forma aberta.
Outro serviço oferecido são os jogos on-line, que podem ser apenas para diversão ou também para apostas. De acordo com uma notícia do jornal americano The New York Times, a qual descreve um, entre vários jogos deste tipo, onde competidores ganham dinheiro matando outros competidores, assim como, perdem dinheiro comprando vidas. Através destes exemplos, podemos observar as desvantagens trazidas pela internet a nossa sociedade, quando ela é mal utilizada pelas pessoas, em diversas áreas.
2. Informática na Educação
Segundo Valente[1], o termo "Informática na Educação" tem assumido diversos significados dependendo da visão educacional e da condição pedagógica em que o computador é utilizado, assim, podemos descrevê-lo como sendo a inserção do computador no processo de aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades de educação. Diante desse ponto de vista, o professor deve estar habilitado a usar algum tipo de tecnologia e também possuir domínio do conhecimento, o qual deseja repassar para o aluno. O uso da informática provê uma nova forma de se adquirir conhecimento, a criação de ambientes de aprendizagem que incorporem o uso do computador. Ao se utilizar a informática na educação, como meio de transmissão de conhecimento, a prática pedagógica continua a mesma, ou seja, não devendo ser de grande impacto seu uso nas metodologias atuais, porém, o problema está na capacidade de formação dos professores, além do cuidado com as informações, as quais o aluno estará recebendo, e qual a qualidade desse aprendizado.
Portanto, o uso do computador na criação de ambientes de aprendizagem é um grande desafio, tendo em vista a necessidade de entender, através do computador, conceitos já conhecidos buscando, através destes conceitos, a compreensão de novos valores e conceitos. Isto implica em um redescobrimento do papel do professor nesse contexto, sendo assim, o professor deve, não somente dominar o uso desta ferramenta, mas também, não permitir que ela interfira na passagem de conhecimento ao aluno, ou seja, a informática na educação não deve implicar no estudo do computador, mas sim utilizá-lo no apoio a passagem de aprendizagem. Segundo Fechine, et al.[2], o uso de sistemas computacionais deve estar ligado a:
- Apoio ao ensino nas diversas áreas do conhecimento;
- Meio de fornecer ao educador um conjunto de ferramentas de software para permitir a programação de cursos ministrados com a assistência do professor;
- Um sistema para atuar na linha da psicologia do desenvolvimento do conhecimento, proporcionando uma linguagem ao nível do aluno, com o objetivo de desenvolver o pensamento lógico abstrato na direção de atividades concretas e criativas.
2.1. Software Educacional
Para Chavez[3], o principal problema em relação à questão do software educacional, é que ninguém parece ser capaz de defini-lo com precisão e clareza. Existem vários questionamentos sobre o que podemos considerar como um software educacional e quais os critérios necessários para criá-lo. Chaves sugere que, se considere um software como educacional, se o mesmo puder ser usado para algum objetivo educacional ou pedagogicamente defensável, qualquer que seja sua natureza ou a finalidade na qual tenha sido criado. Ele também ressalta a importância da observação de outros softwares de grande qualidade já existentes como, processadores de texto, gerenciadores de bancos de dados, planilhas eletrônica, entre outros, os quais podem ser usados para nos ajudar a atingir mais fácil e eficientemente os objetivos educacionais a que nos propomos.
Portanto, a melhor forma de definirmos um software como educacional, é através utilização, assim, aplicativos e softwares que já existam e sejam utilizados, de maneira a propiciar uma passagem de conhecimento entre professor e aluno ou a construção de ambientes de aprendizagem, dentro dos padrões curriculares, podem ser considerados educativos.
2.2. Aplicação da Informática na Internet na área de Ensino: Ênfase no Brasil
Hoje vivemos em uma sociedade totalmente informatizada, onde o computador já faz parte da vida de muitas pessoas, inclusive as de classe baixa, pois, o governo vem a um bom tempo incentivando a inclusão digital por meio de projetos. A grande dúvida é, até que ponto devemos nos tornar dependentes desta tecnologia, com relação ao ensino em escolas, universidades e ensino à distancia.
Segundo[4] a notícia divulgada no site da BBC no dia 21 de agosto, 2002, os candidatos à presidência naquela época concordavam em uma coisa: o ensino brasileiro deveria mudar devido aos avanços tecnológicos que estavam muito rápidos, pois, já em 2002, as pessoas necessitavam de um conhecimento básico na área de informática para concorrer a uma vaga de emprego e os alunos de baixa renda, tanto do ensino médio quanto do fundamental, não tinham acesso à internet nem a um computador, estando assim, totalmente alienados e despreparados para o mercado de trabalho.
Já em 2007, foi elaborado um relatório pelo Gabinete de Estatística e Planejamento da Educação, com base em dados e pesquisas realizadas nas escolas estaduais e privadas, referente ao ano letivo de 2006/07. Os resultados foram surpreendentes, pois foi constatado que no ano de 2007, 80% das escolas estaduais tinham computadores contra apenas 23% do setor privado.
Mais uma estatística interessante foi divulgada dia 04 de junho de 2008, pelo ministro das comunicações, Hélio Costa. Foi feita uma entrevista com o ministro onde ele declarou que em 2018, cerca de 142 mil escolas públicas do Brasil, incluindo as federais, estaduais e municipais, terão acesso a internet com banda larga. A primeira etapa desse projeto deve estar concluída até 2010, e o objetivo é que nesta data cerca de 70% dos estudantes da rede pública já tenham internet de alta velocidade.
Agora falaremos de outra etapa importantíssima em relação ao uso da informática na educação de crianças, especialmente no Brasil, como usar esses recursos que já estão disponíveis em varias escolas públicas de modo a aproveitar seus principais benefícios. A resposta está em capacitação, todos os professores e funcionários devem estar capacitados e em constante atualização com as novidades e avanços tecnológicos. Seria interessante também, fornecer subsídios e uma boa base a esses profissionais, para que no futuro eles possam ser o que os americanos chamam de “life-long learner”, ou seja, uma pessoa capaz de aprender de maneira autônoma para o resto da vida.
Na figura 1, abaixo, podemos ver um exemplo do empenho dos professores, em fazer uma aula diferente com os alunos e, principalmente, a preparação dos mesmos, para fazer de uma simples aula de geografia, totalmente teórica, se tornar uma aula prática e totalmente interativa por parte dos alunos. Essa reportagem está na revista Veja do dia 16 de maio de 2007.
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| Figura 1: Estudantes utilizando laptops durante aula em escola gaúcha. |
Agora, com outra visão de computadores e internet no ensino e na educação, tanto por parte dos professores como da sociedade de uma forma geral, o ensino esta sofrendo alterações drásticas. Antes, as crianças passavam a aula inteira escrevendo no caderno, pintando, entre outras atividades. Hoje, já temos algumas aulas diferentes das tradicionais, no Brasil, mas ainda é necessário evoluirmos muito nessa direção. O Japão é um exemplo, onde os alunos estudam o tempo todo com computadores, têm acesso a rede, materiais em rede, Blogs informativos, como podemos observar na figura 2 .
A educação (ou ensino) à distância, diferente da educação presencial, é o processo de ensino onde professores e alunos não estão juntos, fisicamente, porém podendo existir momentos presenciais, e sim estão interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Mas existem também outros meios como, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes. Através da educação a distância o conceito de aula em tempo e lugar determinados muda, sendo que os mesmos se tornam cada vez mais flexíveis.
Até algum tempo atrás, os cursos on-line eram apenas passatempo, e estavam longe de explorar o verdadeiro benefício que a internet pode proporcionar aos alunos, onde os mesmos buscavam aprender informática ou idiomas através de recursos limitados, apenas uma combinação de textos com poucas ilustrações. Porém, com a chegada dos cursos de treinamento profissional e de ensino superior, o cenário está mudando. Novas tecnologias estão sendo aplicadas, combinando texto, vídeo e áudio para estimular o aprendizado. Quase todos têm um professor on-line à disposição, para responder às dúvidas via e-mail, além da existência de listas de discussão, o que alimenta os debates e pesquisas entre alunos e professores.
No Brasil o ensino a distância está avançando, passando por uma verdadeira explosão, e já existem milhares de cursos oferecidos na rede, em diversas áreas e em vários campos do conhecimento, desde graduação e pós-graduação a treinamento profissional. Entre os motivos apontados por alunos que procuram cursos à distância estão, a facilidade de realizar o curso na própria casa, além disso, o fato de que muitas vezes estes são cursos mais rápidos.
Com esse novo processo de aprendizagem, o professor passa a desempenhar, ainda mais, o papel de supervisor, animador e incentivador dos alunos. Contudo, para Carlos Lucena, membro da Academia Brasileira de Ciência e um dos pioneiros do ensino a distância no Brasil, o problema é saber se todos os alunos conseguirão superar a falta de um professor ao seu lado. No entanto, o que não faltam são exemplos como o da professora de filosofia Ida Thon, gaúcha de 54 anos, ele pretendia voltar a estudar, porém para fazer o curso que ela desejava, de noções de museologia, ela precisaria ir para São Paulo, Ida decidiu fazer o curso a distância, ela diz ter ficado muito satisfeita com os resultados. Assim como o de Ida, muitos outros casos são cada vez mais freqüentes.
Para Sylvio Lazzarini, um administrador de empresas de 48, que fez um curso à distância de especialização em administração de negócios na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, o curso oferecido exigiu muito e ele considera como altamente compensador, afirmando que não trocaria esse método, ele ainda aponta como ponto positivo a participação em grupos de discussão formados pelos alunos do curso, onde ele revela que sempre surgem boas idéias.
Existem projetos ambiciosos como o da Universidade Pública Virtual do Brasil (Unirede), um consórcio de 68 instituições públicas. Além disso, com a abertura de grandes possibilidades educacionais, como o aumento da banda de transmissão de dados e o surgimento de várias outras novas tecnologias, o que possibilitará que muitos cursos possam ser realizados a distância com som e imagem, poderemos então ter aulas a distância ao vivo (com interação on-line) e aulas presenciais com interação a distância, sendo que as possibilidades de interação serão proporcionais ao número de pessoas envolvidas.
Mas, enquanto um número cada vez maior de sites cria novas opções para quem pretende estudar pela internet, muitos especialistas discutem até que ponto é válido o aprendizado virtual, tentando evitar que tais cursos percam a qualidade. Um exemplo é o congresso brasileiro de ensino a distância, que se iniciou no dia 14 de setembro onde o país busca através de exemplos de educação a distância de 12 países, entre eles Estados Unidos e Espanha, discutir os problemas para avançar no ensino à distância no país, com a participação do secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, que enfatiza a importância desta modalidade de ensino como agente para a democratização do ensino no Brasil. Além disso, o secretário ressaltou que o MEC está supervisionando a qualidade dos cursos à distância.
Enquanto autoridades e especialistas discutem a qualidade dos cursos a distância, o número de alunos na educação a distância cresce acentuadamente, de acordo com o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação a Aberta e a Distância de 2007, o Brasil teve um crescimento de 24,4% no número de alunos de graduação a distância em relação ao ano anterior, passando a ter 970 mil alunos.
È fato que, algumas organizações e cursos oferecem tecnologias avançadas apenas visando lucro, aumentando o número de alunos com poucos professores, além de outros problemas encontrados. Porém, outras oferecem, e muitos outras oferecerão, cursos de qualidade, integrando tecnologias e propostas pedagógicas inovadoras, cada vez mais se adaptando com o ritmo pessoal, proporcionando maior interação entre o grupo de alunos e professores, buscando assim, melhorar constantemente a educação a distância.
Assim o uso produtivo da Internet para fins educativos é quase tão infinito quanto às ramificações da própria rede e encontra seu limite apenas na imaginação dos professores e alunos que queiram tirar proveito dela.
